O que é e quando podemos utilizar a avaliação não invasiva do fígado?

Diversos fatores agressores podem acometer o fígado de forma crônica, como o álcool, as hepatites virais B e C, a obesidade associada à esteatose hepática, dentre outras. Com a progressão e o não tratamento adequado destas doenças, pode ocorrer o surgimento da fibrose do órgão, ou seja, a cirrose hepática, que pode ou não vir acompanhada de complicações como a hipertensão portal e ascite, hemorragia digestiva alta e encefalopatia hepática. O grau de fibrose do fígado está diretamente correlacionado com a gravidade da doença e o risco do desenvolvimento de tais complicações.

No passado, a avaliação do grau de fibrose era realizada através da biópsia hepática. Apesar da boa acurácia deste método e de ainda ser insubstituível em alguns casos específicos (principalmente na esteato-hepatite não alcoólica), este procedimento é invasivo e não isento de riscos ao paciente.

Como método alternativo, a Elastografia avalia a rigidez do tecido hepático de forma segura, rápida (cerca de cinco a 10 minutos) e sem oferecer riscos ao paciente. O exame assemelha-se a um ultrassom: com o paciente deitado, em decúbito dorsal, através de uma sonda posicionada sobre a pele, o médico emite disparos indolores no parênquima hepático. De acordo com a velocidade de propagação desta onda, inferimos o grau de rigidez do órgão, diretamente relacionada com a fibrose e gravidade da doença.

As principais limitações deste exame incluem pacientes com obesidade avançada, anatomia desfavorável da caixa torácica, presença de ascite volumosa, valores muito elevados de aminotransferases, insuficiência cardíaca congestiva e colestase extra-hepática. Para a realização deste exame, é necessário um curto período de jejum (quatro horas), e o paciente não deve ter consumo excessivo de álcool no período.

Desde 2015 o Ministério da Saúde reconhece a Elastografia Hepática como método adequado para definir quais pacientes devem ser tratados com os novos antivirais de ação direta (na hepatite C crônica), e mais recentemente, neste ano, reconheceu a aplicabilidade da Elastografia na indicação de tratamento da hepatite B crônica.

É importante salientar que este exame deve ser indicado de forma individualizada, avaliado e interpretado preferencialmente por um médico especialista em fígado, para que o paciente receba o tratamento adequado e eficaz para sua enfermidade.