Tendo em vista a dinâmica da pandemia de Covid-19 e o rápido acúmulo de novas informações oriundas de opiniões de experts em doenças infecciosas e gastrointestinais a respeito do uso de drogas utilizadas no tratamento de doenças inflamatórias intestinais (DII) e a infecção pelo Coronavírus, apresentamos algumas considerações importantes:

– A manutenção do tratamento direcionado à DII é recomendada porque pode evitar recorrências ou complicações da doença com a consequente necessidade de visitas a clínicas ou mesmo hospitalizações, o que tornaria o paciente mais exposto ao coronavírus nestes ambientes.

– Em um paciente com DII em atividade moderada a grave, a decisão de iniciar terapia biológica, preferencialmente em monoterapia, ou de escalonar a dose de um biológico em uso, deve ser cuidadosamente discutida em um processo de tomada de decisão compartilhada entre médico e paciente, considerando os riscos da DII não controlada no contexto da pandemia da COVID-19.

– Em caso de infecção suspeita pelo Coronavírus, o paciente deve contactar imediatamente seu médico. Neste contexto, provavelmente, é recomendado parar o uso de imunossupressores e postergar as infusões/injeções de biológicos até que haja resolução da infecção.

– Em pacientes com doença de Crohn, os estudos mostram que a troca eletiva de infliximabe para adalimumabe pode levar a um aumento da taxa de perda de resposta, portanto, a troca para droga subcutânea deve ser restringida para centros onde a infusão endovenosa não estiver mais disponível. Em centros habilitados para agendar infusões, recomenda-se evitar aglomeração de pessoas e a adoção de cuidados de saneamento como a limpeza das poltronas entre cada infusão.

Em relação a exames e cirurgias:

– Procedimentos endoscópicos: deve ser postergado o procedimento eletivo. Procedimento de urgência pode ser realizado com todas as recomendações de cuidados pertinentes.

– Cirurgias: devem ser postergadas. Cirurgia de urgência deve ser realizada

– Terapia nutricional: deve ser mantida e deve ser iniciada para quem ainda não está em prática.

Em relação aos medicamentos

– Mesalazina/Sulfassalazina: quem estiver em uso pode manter e se necessário, aumentar a dose. Aos que ainda não fazem uso, pode ser iniciada se necessário.

– Azatioprina/Metotrexate: pode ser mantida e evitar aumentar a doce. Aos que ainda não fazem uso, evitar iniciar.

– Corticosteroides: tentar reduzir gradualmente a dose caso em uso de doses elevadas. Evitar o início aos que não fazem uso.

– Terapia anti-TNF (infliximabe, Adelimumabe, Certolizumabe pegol): pode ser mantido e considerar aumentar as doses se houver remissão profunda há mais de um ano. Se atividade moderada a grave, pode ser iniciado em monoterapia. Os demais casos, postergar o início, se possível.

– Comboterapia (anti-TNF + imunossupressor): suspender o imunossupressor, se possível. Evitar iniciar.

– Vedolizumabe: pode ser mantido e considerar aumentar o intervalo entre as doses se houver remissão profunda há mais de um ano. Se atividade moderada a grave, pode ser iniciado em monoterapia. Os demais casos, postergar o início, se possível.

– Ustequinumabe: pode ser mantido e considerar aumentar o intervalo entre as doses se houver remissão profunda há mais de um ano. Se atividade moderada a grave, pode ser iniciado em monoterapia. Os demais casos, postergar o início, se possível.

– Tofacitinibe: pode ser mantido e evitar aumentar a dose. Evitar iniciar, exceto se não houver outra alternativa terapêutica.

Fonte:

  1. Mao R et al. Lancet Gastroenterology Hepatology, publicado online em 11 de março de 2020 em https://doi.org/10.1016/S2468-1253(20)30076-5.
  2. 1st Interview COVID-19 ECCO Taskforce, published March 13, 2020.
  3. 2nd Interview COVID-19 ECCO Taskforce, published March 20, 2020.

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